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09/10/1926 – Ditadura militar brasileira: Ernesto Geisel ordena a demolição do Palácio Monroe

Data: 09/10/1926

Fatos: Ernesto Geisel ordena a demolição do Palácio Monroe, antiga sede do Senado brasileiro, na Cinelândia, Rio de Janeiro.

Contexto: O Palácio Monroe foi demolido em 1976, por ordem do presidente Ernesto Geisel, durante a ditadura militar brasileira.

Principais Fatos

Destino do local: Após a destruição completa, o terreno deu lugar a uma praça com chafariz e, posteriormente, a um estacionamento subterrâneo.

Origem: Construído originalmente como o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis (1904), nos Estados Unidos, de onde veio desmontado e reconstruído no Rio de Janeiro em 1906.

Funções: Serviu de sede para a Câmara dos Deputados (1914–1922) e, posteriormente, como a icônica sede do Senado Federal (1925–1960), até a transferência da capital para Brasília.

A Demolição: Autorizada por Geisel em 1975 e iniciada em 5 de janeiro de 1976.

Pretextos oficiais: O governo alegou que o prédio eclético atrapalhava o trânsito na Cinelândia, prejudicava a vista do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial e seria afetado pelas obras do metrô (uma justificativa contestada por laudos da época).

A demolição do Palácio Monroe gerou uma das maiores e mais acaloradas polêmicas urbanísticas e culturais da história do Rio de Janeiro, dividindo a imprensa, a elite intelectual e a opinião pública em um debate que misturava disputas estéticas, interesses econômicos e o autoritarismo da ditadura militar.

A repercussão do fato dividiu-se em três frentes principais:

1. A Batalha dos Jornais e das Instituições

O debate público foi fortemente inflamado pela imprensa da época:

  • A favor da demolição (O Globo): O jornal encabeçou uma agressiva campanha editorial defendendo a derrubada do edifício. Sob o pretexto de “modernização” e alegando que o palácio era um “monstrengo” que atrapalhava o trânsito da Cinelândia, o veículo ajudou a moldar um cenário favorável à destruição.
  • Contra a demolição (Jornal do Brasil): Alinhado com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o Clube de Engenharia, o jornal lutou fervorosamente pela preservação e tombamento do prédio. Essas entidades técnicas chegaram a provar em laudos que as obras do metrô já haviam contornado o palácio com sucesso, desmentindo o argumento de que a estrutura corria risco de desabar.

2. O Racha Intelectual: Modernistas vs. Passado

A elite da arquitetura brasileira teve um papel crucial no desfecho trágico:

Lúcio Costa e o desprezo pelo Ecletismo: O renomado arquiteto modernista (criador do plano de Brasília) deu um parecer decisivo contrário ao tombamento do palácio. Para os defensores do Modernismo na época, o estilo eclético do Monroe era considerado um “hiato” sem valor artístico autêntico ou puramente estrangeiro. O peso intelectual de Lúcio Costa selou o destino do prédio, fornecendo a justificativa técnica que a ditadura precisava.

3. A População e o Sentimento de “Apagamento”

Como o país vivia o auge do regime autoritário, a sociedade civil tinha poucos mecanismos para reagir diretamente. No entanto, a reação popular alternou entre o espanto e a profunda melancolia:

  • O “Desmonte Profano”: A empresa contratada para a demolição (Aghil) recebeu como pagamento o direito de comercializar todo o espólio do palácio. A visão de relíquias históricas, vitrais, anjos de bronze e os icônicos leões de mármore de Carrara sendo vendidos e dispersados publicamente chocou os cariocas.
  • O Vazio Urbano: Historiadores apontam que a destruição foi sentida como um “crime contra a memória afetiva” e um ato de vandalismo estatal. No lugar da joia arquitetônica, restou o que críticos chamam de um “nada urbano” — um chafariz isolado que posteriormente cedeu espaço a um estacionamento subterrâneo.

Mesmo após cinco décadas, o episódio ainda reverbera intensamente, sendo frequentemente citado como o maior exemplo de erro na preservação do patrimônio histórico brasileiro.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/9_de_outubro


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