Data: 01/09/1939
Acontecimento: Início da Segunda Guerra Mundial. A invasão da Polônia pela Alemanha nazista marca o início do conflito, que teria profundos impactos na música, com muitos músicos sendo perseguidos ou exilados.
Contexto: A invasão da Polônia pela Alemanha nazista em 1º de setembro de 1939 não apenas marcou o início da Segunda Guerra Mundial, mas também consolidou um dos períodos mais sombrios para a história da arte. Sob o pretexto de expandir o seu “espaço vital” (lebensraum) e recuperar territórios perdidos, o regime de Adolf Hitler aplicou uma política de censura, perseguição e destruição cultural que silenciou gerações de artistas.
O impacto do conflito e da ideologia nazista na música estruturou-se em três grandes frentes:
1. O conceito de “Música Degenerada” (Entartete Musik)
Antes mesmo da invasão da Polônia, a criação da Câmara de Música do Reich rotulou como “música degenerada” qualquer composição que não se alinhasse aos padrões estéticos arianos. Isso incluía:
- Obras de compositores de origem judaica.
- Gêneros modernos influenciados pela cultura negra, como o jazz.
- Estilos de vanguarda, como a música atonal e expressionista da Segunda Escola de Viena.
2. Músicos Exilados e a Diáspora Cultural
Milhares de maestros, instrumentistas e musicólogos foram forçados a abandonar a Europa. Enquanto nações inteiras perderam seus maiores talentos, países como os Estados Unidos viveram um enorme enriquecimento cultural com a chegada desses refugiados:
- Arnold Schoenberg, Kurt Weill e Paul Hindemith buscaram refúgio na América do Norte, onde continuaram a lecionar e compor.
- Compositores como Béla Bartók e Erich Korngold também integraram essa onda de migração forçada, enfrentando dificuldades de adaptação no Novo Mundo.
3. Perseguição e Criação nos Campos de Concentração
A face mais cruel do regime resultou na prisão e morte de inúmeros músicos em campos de extermínio como Auschwitz e Buchenwald. Curiosamente, a música era utilizada de forma ambígua: os nazistas criavam orquestras de prisioneiros para encobrir o barulho de execuções ou simular normalidade para inspeções externas.
Mesmo diante do horror, a música serviu como resistência e manutenção da dignidade humana. Compositores como Erwin Schulhoff, Pavel Haas, Viktor Ullmann e Gideon Klein criaram centenas de partituras de forma clandestina antes de serem assassinados. Atualmente, projetos como o do instituto Exilarte e o trabalho de resgate de pesquisadores buscam publicar e devolver aos palcos mundiais essas obras que os nazistas tentaram apagar da história