Data: 09/10/1921
Fatos: A crise das cartas falsas começou em 9 de outubro de 1921, quando o jornal Correio da Manhã publicou correspondências forjadas atribuídas a Artur Bernardes, então candidato à presidência. Os textos continham graves ofensas aos militares e ao marechal Hermes da Fonseca.
Contexto: O episódio inflamou as Forças Armadas e a oposição. Diante da enorme instabilidade política e da forte pressão militar, o então presidente Epitácio Pessoa viu-se forçado a adotar uma postura de neutralidade e recuar de uma atuação direta na sua própria sucessão, tentando agir como mediador para evitar uma ruptura institucional antes de transmitir o cargo.
A crise começou quando o jornal carioca Correio da Manhã publicou correspondências repletas de ofensas graves aos militares brasileiros e ao marechal Hermes da Fonseca. Os documentos foram falsamente atribuídos a Artur Bernardes, então governador de Minas Gerais e candidato oficial à presidência da República.
O escândalo gerou sérias consequências políticas:
- O estopim da crise: As cartas chamavam Hermes da Fonseca de “sargentão sem compostura”. Isso provocou a imediata indignação do Clube Militar e da ala mais jovem do Exército.
- A Reação Republicana: A oposição militar e civil uniu-se em torno da candidatura de Nilo Peçanha, acirrando drasticamente a disputa eleitoral.
- O papel de Epitácio Pessoa: O então presidente Epitácio Pessoa tentou mediar o conflito, chegando a apoiar a criação de uma junta de peritos para avaliar os documentos. No entanto, a forte pressão e a hostilidade dos militares limitaram a sua capacidade de manobra na sucessão, empurrando o país para um estado de profunda instabilidade política.
- Desfecho: Mesmo com a posterior comprovação de que as assinaturas eram forjadas (o que os autores confessaram em março de 1922), o clima de desconfiança permaneceu. Artur Bernardes venceu as eleições, mas seu governo enfrentou forte oposição armada e o surgimento do Movimento Tenentista.