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14/09/1968 – Início do III Festival Internacional da Canção (FIC), um dos momentos culturais mais emblemáticos no Brasil

Data: 14/09/1968

Acontecimento: A fase nacional do III Festival Internacional da Canção começou em São Paulo, no dia 13 de setembro de 1968 (uma sexta-feira), estendendo-se com eliminatórias ao longo de todo o mês.

O cronograma do evento dividiu-se da seguinte forma:

Fase Internacional: Ocorreu logo na sequência, na primeira semana de outubro de 1968, onde a música vencedora brasileira disputou o prêmio com competidores de outros países

III FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO traz, como novidade, Os Mutantes, cantando “Caminhante Noturno”, vestidos em trajes medievais (Rita Lee estava de noiva). Ficaram em 6º lugar.

Fase Eliminatória Paulista: Teve início na metade de setembro no Teatro da PUC (TUCA), em São Paulo. Foi nessa largada que aconteceram as primeiras apresentações e as grandes polêmicas, como as vaias a Caetano Veloso.

Contexto: o III Festival Internacional da Canção (FIC), realizado em setembro de 1968, um dos momentos mais emblemáticos da cultura, da música e da política brasileira.

O cenário que envolve essa icônica apresentação pode ser detalhado através dos seguintes pilares:

1. O Auge do Movimento Tropicalista

Em 1968, a Tropicália estava em sua força máxima, desafiando as estruturas tradicionais da Música Popular Brasileira (MPB) ao misturar guitarras elétricas, elementos do rock internacional, psicodelia e a tradição nacional. Os Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) eram o braço instrumental e visual mais irreverente desse movimento. As roupas teatrais — incluindo o famoso vestido de noiva de Rita Lee (emprestado da atriz Leila Diniz, do acervo da TV Globo) e os trajes de arlequim e toureiro dos irmãos Dias — faziam parte de uma estética de deboche e desconstrução das formalidades da época.

2. Tensões Políticas e a Ditadura Militar

O festival ocorreu sob a sombra do endurecimento do regime militar no Brasil, apenas alguns meses antes da promulgação do AI-5 (dezembro de 1968). A juventude e o público dos festivais (composto majoritariamente por estudantes de esquerda) esperavam canções de protesto de cunho panfletário. A postura irônica, estética e aparentemente “descompromissada” dos Mutantes chocava a plateia mais ortodoxa.

3. O Histórico de Conflito no Mesmo Festival

Na fase eliminatória paulista desse mesmo festival, ocorrida no Teatro da PUC (TUCA), Os Mutantes atuaram como banda de apoio de Caetano Veloso na polêmica performance de “É Proibido Proibir”. Naquela noite, a banda e o cantor foram recebidos com uma vaia histórica e chuva de objetos, o que resultou no famoso discurso inflamado de Caetano contra a patrulha ideológica da plateia.

4. Recepção Carioca e Prêmios

Diferente do caos ocorrido com Caetano, a apresentação solo de “Caminhante Noturno” na grande final nacional no Maracanãzinho (Rio de Janeiro) conquistou a simpatia do público e da crítica. Embora tenham ficado em 6º lugar na classificação geral, a apresentação rendeu conquistas importantes:

  • O maestro Rogério Duprat recebeu o prêmio de Melhor Arranjo do festival.
  • O trio ganhou um prêmio extra de Melhor Interpretação/Apresentação do evento.

Uma fotografia dessa célebre apresentação com os trajes medievais e o vestido de noiva acabou se tornando a capa do segundo álbum de estúdio do grupo, intitulado Mutantes (lançado em 1969), que consolidou a faixa em sua versão definitiva.

Fonte: Base Local, Wiki, Deep Seek


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