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18/09/1990 – A vala comum de Perus: cemitério secreto das vítimas da ditadura militar é descoberto

Data: 18/09/1990

Fatos: A vala comum de Perus, oficialmente descoberta em setembro de 1990 no Cemitério Dom Bosco, na Zona Noroeste de São Paulo, revelou mais de 1.000 ossadas clandestinas de vítimas da ditadura militar brasileira e de ações violentas do Estado.

O histórico e político dessa descoberta:

O Contexto Histórico e a Operação

  • Criação do Cemitério: Inaugurado em 1971 pelo prefeito Paulo Maluf, o Cemitério Dom Bosco foi estrategicamente construído em uma área isolada para sepultar indigentes, pessoas de baixa renda e vítimas de surtos epidemiológicos (como a epidemia de meningite dos anos 1970).
  • Uso Ditatorial: O regime militar utilizou o local para ocultar os corpos de opositores políticos assassinados sob tortura nos centros de detenção (como o DOI-CODI). Os corpos eram enterrados com nomes falsos ou como “indigentes” para evitar que as famílias localizassem os restos mortais.

A Descoberta (1990)

  • Abertura Político-Social: A vala foi aberta em 4 de setembro de 1990, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, impulsionada por investigações jornalísticas (especialmente do jornalista Caco Barcellos) e pelas denúncias de familiares de mortos e desaparecidos políticos organizados no Comitê de Solidariedade aos Familiares.
  • O Achado: Foram encontradas 1.049 ossadas sem identificação, misturadas em sacos plásticos dentro de uma vala clandestina.

Desafios de Identificação e Legado

Março da Memória: O caso de Perus tornou-se o maior símbolo da política de ocultação de cadáveres praticada pelo Estado brasileiro e foi peça central nos relatórios da Comissão Nacional da Verdade (2012–2014) para provar as violações sistemáticas de direitos humanos.

Lentidão: O processo de identificação das ossadas arrastou-se por décadas devido à falta de verbas, entraves burocráticos e técnicas científicas limitadas na época.

Identificações Confirmadas: Ao longo dos anos, o trabalho da Unicamp e, posteriormente, do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) da Unifesp conseguiu identificar militantes políticos icônicos, como Denis Casemiro, Frederico Eduardo Mayr, Dimas Antônio Casemiro e Flávio Carvalho Molina.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/18_de_setembro


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