Data: 24/09/2009
Acontecimento: Leonard Cohen realiza show polêmico em Israel após a Amnesty International se retirar; ele cria uma nova instituição de caridade israelense-palestina para distribuir os lucros.
Contexto: O polêmico concerto de Leonard Cohen em Tel Aviv ocorreu em 24 de setembro de 2009, no Estádio Ramat Gan, diante de um público de 47 mil pessoas. O evento ficou marcado por intensos debates políticos e por uma complexa operação humanitária estruturada pelo próprio artista.
Contexto e Boicote
- Pressão Internacional: Campanhas pró-Palestina e defensores do movimento de boicote cultural (BDS) exigiram o cancelamento do show em Israel.
- Tentativa de Equilíbrio: Cohen tentou agendar uma apresentação paralela em Ramallah, na Cisjordânia, mas a proposta foi rejeitada pelas organizações palestinas, que recusaram o que chamaram de uma tentativa de “neutralizar” o show de Tel Aviv.
O Recuo da Amnistia Internacional
- Parceria Inicial: A Amnesty International USA havia concordado em gerenciar um fundo de caridade financiado pelos lucros do show para apoiar grupos de direitos humanos e coexistência.
- A Retirada: Após sofrer forte pressão de grupos ativistas palestinos e internacionais — que argumentavam que a participação da ONG legitimaria a ocupação israelense —, a organização anunciou sua retirada oficial do projeto em agosto de 2009.
A Criação da Nova Instituição
- The Fund for Reconciliation, Tolerance and Peace: Sem o apoio da Anistia Internacional, Cohen e seu empresário fundaram a sua própria corporação de benefício público.
- Destinação dos Lucros: Toda a receita líquida obtida — estimada entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões — foi repassada a essa nova entidade.
- Beneficiários: Os fundos foram distribuídos para organizações de paz israelenses e palestinas. O principal destaque foi o Parents Circle-Family Forum, um grupo que reúne famílias de ambos os lados que perderam parentes no conflito. Cerca de 200 dessas famílias palestinas e israelenses assistiram ao show juntas na plateia.