Data: 29/09/1992
Fatos: Aprovação do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, na Câmara dos Deputados, por 441 votos a 38 impulsionado pela maciça presença do povo nas ruas, como o movimento dos caras-pintadas.
Este fato insere-se no contexto da crise política e econômica do início dos anos 1990 no Brasil, que culminou no primeiro processo de impeachment da história da redemocratização do país.
O cenário que envolve esse acontecimento é marcado por três fatores principais:
1. Crise Econômica e Social
- Hiperinflação: O governo Collor (1990–1992) falhou em controlar a inflação, mesmo após medidas drásticas e impopulares como o confisco da caderneta de poupança e de contas correntes.
- Recessão: As políticas econômicas geraram forte recessão, aumento do desemprego e insatisfação geral da classe média e dos trabalhadores.
2. Denúncias de Corrupção
- O “Esquema PC Farias”: Em maio de 1992, Pedro Collor, irmão do presidente, denunciou à revista Veja a existência de um esquema de corrupção e tráfico de influência operado por Paulo César Farias (PC Farias), ex-tesoureiro da campanha de Collor.
- A CPI: O Congresso Nacional instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que comprovou que contas fantasma ligadas a PC Farias pagavam despesas pessoais do próprio presidente e de sua família.
3. Mobilização Popular e Isolamento Político
- Os Caras-Pintadas: Em agosto de 1992, Collor convocou a população a ir às ruas vestindo verde e amarelo para defendê-lo. Em resposta, milhares de jovens e estudantes, liderados pela UNE e pela UBES, pintaram os rostos e saíram de luto (vestindo preto) exigindo a sua saída, no movimento que ficou conhecido como “Caras-Pintadas”.
- Isolamento Político: Sem base de apoio sólida no Congresso e diante da enorme pressão das ruas e da cobertura midiática, o presidente perdeu a sustentação política necessária para se manter no cargo.
O desfecho desse contexto ocorreu em 29 de setembro de 1992, quando a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo por 441 votos a 38. Collor foi afastado e, em dezembro do mesmo ano, renunciou momentos antes de o Senado votar sua cassação, tendo seus direitos políticos suspensos por oito anos. O vice-presidente, Itamar Franco, assumiu definitivamente a presidência.